28.9.06

Perda de tempo

Das várias leituras da entrevista de Pedro Arroja a Fernanda Câncio, não sei o que mais espanta. Talvez a confusão entre juizos de facto e juizos de valor. Foi há 12 anos que, nessa mesma entrevista, Pedro Arroja tentou explicar a diferença :

Estou aqui a falar de estudos documentados, prémios Nobel, e as pessoas riem-se, porque não é aceitável. Eu acho admirável a capacidade de levar a razão humana a este ponto.


Perda de tempo. Quem não percebe a diferença entre juizos de facto e juizos de valor tratará a expressão "a escravatura não foi má para os negros em termos económicos" como um juizo de valor equivalene a "a escravatura foi boa" e reagirá emocionalmente. Que essa atitude continue a ser a norma nas discussões públicas em Portugal só vem provar que um dos objectivos das intervenções do Prof. Pedro Arroja, conseguir que os factos sejam avaliados de acordo com a razão e não de acordo com as emoções, nunca chegou a ser atingido.